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No Mundo

 

 

O arroz é um dos cereais consumidos há mais tempo no mundo, sendo muito difícil determinar com exactidão a época em que se começou a cultivar, mas upostamente terá sido há mais de 12 mil anos em certas regiões da Índia e da China. Hoje, o arroz faz parte integrante da vida diária de milhões de pessoas no mundo inteiro. Reservado quase exclusivamente para a alimentação humana, constitui a metade do regime alimentar de 2  mil milhões de pessoas e entre 25% e 50% da dieta de outras  500 milhões.

 

Actualmente existem duas espécies cultivadas de arroz: Oryza sativa L. (de origem asiática) e Oryza glaberrima Steur (de origem africana). O arroz africano é cultivado desde há 3500 anos, tendo-se propagado do seu centro original, o delta do rio Niger, até ao Senegal. No entanto, o seu cultivo nunca se afastou muito da zona original principalmente devido à introdução das espécies asiáticas, provavelmente levadas para África pelos Árabes entre os séculos VII e XI.

 

Com relação ao arroz asiático há estudos genéticos que referem que foi o arroz selvagem (Oryza rufipogon) que lhe deu origem e que se julga ter surgido nos Himalaias, originando, devido às diferenças climáticas, três subespécies : indica, japonica e javanica. A indica compreendia as variedades tropicais e subtropicais da Índia e da China ; a japonica , as variedades de grão curto e redondo do Japão, China e península coreana; e a javanica , as variedades bulu (com barba) e gundil (sem barba) cultivadas na Indonésia. O arroz de verão, ou seja , as variedades aus da Índia oriental e do Bangladesh e o arroz longo e paniculado, de grão espesso, da Indonésia, muito próximos das subespécies indica e japonica, pertencem a um tipo intermediário.

 

A questão do sabor é uma das razões para o surgimento de diferentes variedades dessa planta. Hoje, segundo publicações especializadas, existem cerca de 8.000 variedades de arroz – a grande maioria proveniente da espécie Oryza sativa – cultivada em mais de 110 países.

 

O cultivo de arroz na China começou há cerca de 7000 anos. Houve um período de cultivo de sequeiro (5000 a 4500 a.C.) no delta do rio Yangtze (cultura Hemudu) e por volta de 2500 a.C., na mesma zona, iniciou-se um período do cultivo alagado (cultura Liangzhu).

 

O arroz de sequeiro foi introduzido no Japão e na Coreia cerca de 1000 a.C.. A cultura alagada intensiva chegou à Coreia em 850-500 a.C. e ao Japão cerca do ano 300 a.C. Na Europa o arroz só foi conhecido depois da expedição de Alexandre Magno à Índia. Há controvérsias antigas sobre a origem do nome do arroz:  só se sabe com certeza que os gregos e os romanos lhe chamavam orysa, uma palavra que seria derivada do tamil (o idioma falado no Sri Lanka ou Ceilão) arisi.

 

Mas o que se sabe também é que um dos maiores centros de colheita e exportação deste cereal era antigamente a cidade de Orissa, na costa oriental da Índia, no Golgo de Bengala, onde existem pântanos e lagos, favoráveis ao cultivo desta planta.  Se foi Orissa que resultou de orysa ou vice-versa, é algo que jamais saberemos. O que é certo é que houve um tempo em que caravanas carregadas de sacos de arroz atravessavam as planícies centrais indianas, os planaltos afegãos e persas até a Mesopotâmia e, de lá, até o Mediterrâneo oriental.

 

Acredita-se que o mercado grego, e mais tarde o romano, fossem interessantes e vantajosos para os exportadores indianos. Ao que parece, no entanto, os romanos apreciavam mais as qualidades terapêuticas do arroz do que as alimentares.

 

Os árabes trouxeram-no para a Península Ibérica na altura da sua conquista em 711 e é a eles que devemos o nome que hoje lhe damos, derivado do árabe aruz. Em meados do século XV chegou à Itália e depois a França, propagando-se esta cultura pelo resto do mundo em virtude das conquistas europeias. O Brasil foi o primeiro país da América a cultivar arroz, levado pelos portugueses. O seu cultivo começou na década de 1550, na Capitania de São Vicente, no litoral do actual estado de  São Paulo. Em 1694 chegou à Carolina do Sul e no início do século XVIII aos restantes países da América do Sul.

Em Portugal

 

É no reinado de D. Dinis, o Lavrador (1279-1325) que surgem as primeiras referências escritas sobre a cultura do arroz, que na época se destinava exclusivamente à mesa da nobreza. Quatro séculos depois, no reinado de D. José, foram dados incentivos á produção deste cereal principalmente nas regiões dos estuários dos principais rios de Portugal.

 

No entanto, as deficientes técnicas culturais, usadas naquele tempo, deram lugar a zonas de “águas paradas” propícias ao desenvolvimento de insectos, o que motivou uma forte contestação por parte da população que atribuía, e bem, à cultura a responsabilidade de diversas doenças como o paludismo. A cultura chegou mesmo a ser proibida, mas isso não se verificou na prática.

 

No final do século XIX, a cultura do arroz era, em Portugal, limitada às terras alagadiças dos vales do Tejo, Vouga, Mondego, Sado, Mira e Guadiana. Mas a grande expansão da cultura teve lugar por volta de 1909, após a elaboração das regras de preparação dos terrenos e de gestão da água (rega e drenagem). Foi nesta altura que se começaram a cultivar diferentes variedades de arroz.

 

Desde o início dos anos 20 que o arroz passou a ter um papel bastante importante na alimentação dos portugueses, principalmente no norte de Portugal, tendo-se importado durante esta década arroz proveniente do Oriente, Brasil e províncias do Ultramar.

 

A necessidade de regulamentar a produção e importação deste cereal levou a que fosse criada a Comissão Reguladora do Comércio do Arroz, em 1933. A colheita de 1937 chegou mesmo a ultrapassar o consumo da população portuguesa.

 

O aumento da produtividade foi consequência dos trabalhos de melhoramento de variedades desenvolvidas pela Estação Agronómica Nacional desde 1941.

 

Em 1952 atingiu-se a produção record de 150 000 toneladas de arroz. Portugal produz hoje cerca de 160 000 toneladas de arroz por ano, provenientes das zonas, do Vale do Tejo e Sorraia, do Vale do Mondego e do Vale do Sado, sendo o terceiro maior produtor europeu.

 

Existem hoje, cerca de 25 mil hectares cultivados com arroz maioritariamente arroz tipo Carolino, sendo que 70% é da variedade Ariete. Relativamente ao consumo, Portugal é mesmo o maior consumidor de arroz da Europa com cerca de 15 kg per capita/ano.

 

 

Referências bibliográficas

 

Brites, C. M., Guerreiro, M., Modesto, M. L. (2006). Arroz Carolino: uma jóia da nossa gastronomia. COT Arroz.

 

Maurici, J. A. (1999). El arroz. Principales enfermedades, plagas e malas hierbas. BASF.

 

Vianna e Silva, M. (1969). Arroz. Fundação Calouste Gulbenkian.